terça-feira, 15 de março de 2011

foto Mineiro: Natal vive um momento de grande descrença com a gestão de Micarla


Numa entrevista exclusiva ao JORNAL METROPOLITANO, o deputado Fernando Mineiro-PT defende que o partido tenha candidato próprio no próximo ano para disputar a prefeitura de Natal e que se for o escolhido estará à disposição para contribuir com as discussões sobre a capital. "Hoje, Natal tem um problema de desconfiança, incredulidade, de falta de perspectiva, de crença na capacidade da gestão pública. Natal passa por uma situação inédita na sua história que é a descrença total de grande parte da população com a atual administração", diz ele. O parlamentar fala também como pretende exercer a oposição ao governo do Estado e sobre a reunião do Comitê da ONU de Revisão da Convenção de Combate à Desertificação realizada recentemente na Alemanha, da qual participou como convidado.

Repórter - (R) - Vem sendo especulado nos meios políticos que o senhor pretende ser candidato a prefeito de Natal no próximo ano. O que tem de verdade nessas informações?

Fernando Mineiro - (FM) - Tem uma decisão do PT de Natal, do ano passado, que em 2012 o nosso partido deverá apresentar candidatura própria à Prefeitura de Natal. O meu nome foi apresentado pelo presidente do PT de Natal, Fernando Lucena, e por vários outros companheiros e companheiras do Partido como uma possibilidade de assumir a candidatura. O que eu tenho dito é o seguinte. Primeiro, eu defendo que de fato o PT apresente candidatura própria no ano que vem. Segundo, se o meu nome for o escolhido eu estarei à disposição para contribuir com as discussões sobre Natal. Eu acho que é preciso criar um grande movimento na cidade para resgatar a credibilidade na instituição pública. Hoje Natal tem um problema de desconfiança, incredulidade, de falta de perspectiva, de crença na capacidade da gestão pública. Natal passa por uma situação inédita na sua história que é a descrença total de grande parte da população com a atual administração, quer seja nos setores mais favorecidos da sociedade, quer seja nos setores menos favorecidos. Se eu vier a ser escolhido pelo PT vou fazer o papel de fazer a campanha, ganhar as eleições e fazer uma administração que resgate a credibilidade.

R - Deputado, em não sendo o senhor, haverá outro candidato do PT? É ponto pacífico que o Partido terá candidato próprio no próximo ano?

FM - Olha, é uma decisão já tomada pela direção municipal. Agora uma decisão não quer dizer que é uma idéia fixa. É uma idéia a ser construída. A decisão de lançar uma candidatura própria eu prefiro dizer que é uma decisão de construir essa candidatura. Ela não pode ser pessoal, não pode ser uma obsessão, não pode ser uma decisão que não escute que não dialogue com a sociedade. Então nós estamos nesse processo de construir essa candidatura própria. Se não for o meu nome certamente tem outros nomes do partido. Se eu for o escolhido quero me preparar para ficar à altura dessa confiança que o partido venha a me dar.

R - Com o apoio da presidente Dilma à prefeita Micarla de Souza surgiram informações que isso significaria um atrelamento do PT do Estado à administração municipal. Essa informação faz sentido?

FM - Esse tipo de raciocínio não tem nenhuma procedência. A presidenta Dilma, assim como o presidente Lula tem uma relação republicana e institucional com os outros níveis de governo, quer seja municipal ou estadual. É nesse sentido que tem o relacionamento com a administração de Natal. É uma relação institucional de União para o Município assim como tem e deve ter para o Rio Grande do Norte. Não tem nenhuma relação político partidária com a administração de Natal, até porque a decisão sobre os caminhos que devem ser tomados num processo eleitoral cabe ao PT de Natal. Não cabe ao PT do Rio Grande do Norte nem do Brasil. Quem conhece o PT sabe como funciona. Quem diz isso é porque não conhece o Partido dos Trabalhadores.

R - Pela sua experiência, quem o senhor acha que vai liderar a oposição no Rio Grande do Norte?

FM - Primeiro é preciso definir quem estará em oposição. É uma discussão que tenho tido aqui na Assembleia com os colegas deputados, qual será o tamanho da oposição, qual o seu perfil. Da nossa parte, nós faremos oposição. Nós vamos fazer evidentemente uma oposição programática ao governo de Rosalba, porque fomos escolhidos pela sociedade para sermos oposição. Nós perdemos as eleições no ano passado. O projeto que nós apoiamos foi o projeto derrotado. O projeto vencedor foi o processo do consórcio do DEM, PSDB, uma parte do PMDB, os partidos que apoiaram Rosalba. Então o PT estará na oposição. Nós estamos discutindo com os demais parlamentares. Eu acho que mais importante de saber quem vai liderar a oposição é preciso definir qual é o perfil dessa oposição. Eu tenho defendido que nós devemos, nesse primeiro momento, nos basear em quais foram as promessas, quais foram os compromissos que Rosalba apresentou à sociedade durante a campanha. A partir da leitura, da análise desses compromissos, cobrar do governo o seu cumprimento.

R - Fala-se na ex-governadora Wilma de Faria para liderar a oposição em nível de Estado. Em sua opinião ela tem o perfil para isso?

FM - Acho que qualquer liderança do porte que tem a ex-governadora Wilma tem um papel, uma representatividade que conquistou no Estado. Evidentemente ela fará o seu papel de oposição à sua maneira. O PT fará o papel de oposição à maneira do PT.

R - Como vai ser a atuação em plenário do deputado Fernando Mineiro nesta Legislatura. Vai ser radical?

FM - Vai ser baseada como sempre foi, numa postura ética, numa postura transparente. Vai ser uma oposição qualificada, discutindo projetos, discutindo proposições. Denunciando e anunciando, como diria o grande professor Paulo Freire. Ou seja, denunciar aquilo que acho que é equivocado, que é errado, e apresentar aquilo que acho que é correto, como sempre fiz.

R - O senhor já recebeu as informações solicitadas sobre os débitos de curto prazo encontrados pelo novo governo?

FM - Até agora não foi encaminhada à Assembleia a relação dessa dívida. Desde que o governo criou uma comissão de transição tem anunciado vários valores com grande desencontro entre eles, até que na mensagem da governadora Rosalba, ela falou num valor de 810 milhões de reais em dívidas de curto prazo. O que solicitei foi a relação da dívida com detalhamento para poder analisar, identificando qual é a origem, qual é a data de cada endividamento desse, qual foi a despesa que a gerou para a gente poder cotejar com o que estava no orçamento. Estou aguardando, mas até agora o governo não apresentou. A propósito, em dois meses de governo, falta transparência. O próprio portal da transparência do governo do Estado não está atualizado.

R - Deputado, o senhor esteve recentemente na Alemanha participando do fórum sobre desertificação. O Rio Grande do Norte tem problemas nessa área, principalmente na região Seridó. Como é possível mensurar a situação do Estado em relação ao que foi visto lá?

FM- Em participei em Bonn, na Alemanha, da reunião do Comitê de Revisão da Convenção do Combate à Desertificação da ONU. Foi feito um balanço de como vem sendo tratado o combate à desertificação e a mitigação dos efeitos da seca no mundo todo. Para se ter uma idéia da importância dessa convenção, ela é subscrita por 197 países e eu fui convidado como um parlamentar que acompanha esse debate no Brasil, porque o Brasil tem o Plano de Ação Nacional. Os estados do Nordeste e mais Minas Gerais e o norte do Espírito Santo estão incluídas nessas áreas que são chamadas de áreas susceptíveis a desertificação. É necessário que esses estados tenham o seu plano. O Rio Grande do Norte tem um plano de ação e eu participei muito desse debate. O Estado tem 95 por cento do seu território em área susceptível à desertificação. Nós temos um núcleo de desertificação conhecido mundialmente que é o Seridó. Para se entender a importância dessa questão nós temos que olhar para o futuro. Eu tenho dito que só percebe o significado da importância do combate à desertificação quem pensa a região para daqui a 50, 100, 150 anos. Tem um processo de degradação das terras da nossa região e quem sofre com isso são as populações que já vivem nessas áreas. É uma discussão que prevê medidas para se antecipar. Tive a oportunidade de conhecer muitas experiências. Eu defendo que esse assunto não pode ser tratado como se fosse assunto de um governo "a" ou "b". Ele tem que ser tratado como um assunto de País, de Estado e de estados. Não é um problema que só acontece no Nordeste e no Brasil. Acontece na Argentina, no Paraguai, no Equador, no Peru, na Colômbia. Além de acompanhar a reunião de avaliação, participei de eventos paralelos.

R - De que forma o mandato do senhor pretende intensificar esse trabalho para evitar que esse problema se avolume no Rio Grande do Norte?

FM - Nós temos um problema sério que tem impacto, por exemplo, na produção de alimentos relacionada com a questão de desertificação no nosso Estado, no País e no mundo, e temos a questão da energia. O Rio Grande do Norte, por exemplo, na região do Seridó, uma boa fonte de energia é ainda tocada na base da lenha. Nós estamos ainda na idade da lenha. Não adianta só fazer o discurso. É preciso mudar a matriz energética. Esse é o grande debate que nós devemos fazer, porque tem a ver com o desenvolvimento da nossa região. Já elaborei um piloto de um projeto de lei que trata da questão do combate à desertificação que vamos apresentar este ano na Assembleia.



Fonte: Jornal Metropolitano

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